domingo, 7 de junho de 2015

Aeroporto pode viabilizar ZPE de Macaíba

Com forte sinergia, a importação de insumos e montagem de produtos para exportação na zona franca da Grande Natal pode se transformar em grande estímulo para que o aeroporto assuma o papel intercontinental que mobiliza políticos potiguares.

O potencial econômico da vinculação entre o HUB e a Zona de Processamento
de Exportações foi estudado há muitos anos, prevendo ramal ferroviário e
conexões com Parnamirim e com o porto de Natal.
A possibilidade de transformação do aeroporto internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, num grande centro de conexões de vôos intercontinentais, reaberta há poucos meses por um projeto de iniciativa da Latam, está levando moradores de Macaíba à conclusão de que este é um dos melhores caminhos para finalmente viabilizar o projeto de implantação ali de uma Zona de Pro
cessamento de Importações (ZPE).
Esta é uma convergência de projetos para a qual comerciantes locais querem sensibilizar o governador Robinson Faria e o ministro do Turismo, ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves, presidentes regionais, respectivamente, do PSD e do PMDB e líderes de dois grupos que, sem se reunir, têm discursado muito o projeto da conexão aeroviária no município vizinho. Se houver uma forte sinergia entre os dois projetos, o resultado será extraordinariamente promissor para todo o Rio Grande do Norte, asseguram.
Proposta antiga
Os empresários macaibenses e o presidente do Instituto Histórico do Rio Grande do Norte, advogado Valério Mesquita, ex-prefeito de Macaíba, ex-deputado estadual e conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado, lembram que a vinculação entre a ZPE e o aeroporto foi estudada muito antes de empresas privadas do transporte aéreo recolocarem na ordem do dia a proposta de transformar o Aluizio Alves num grande centro de conexão de vôos entre a América Latina e outros continentes. 
Valério: interligação com distritos industriais é imprescindível
ao projeto do aeroporto Aluizio Alves.
Valério recorda, inclusive, que a escolha do terminal de São Gonçalo para ser o HUB do Nordeste foi sugerida à presidente Dilma Rousseff há alguns anos. Infelizmente, porém, ela desconsiderou a proposta, apesar de o terminal ter sido construído por seu governo, e felizmente a iniciativa privada restaura esta possibilidade.  
Muito embora há vários anos esteja habilitado a implantar duas ZPEs, uma em Macaíba e a outra em Açu, há tempos o Rio Grande do Norte mastiga borracha a este respeito, colocando-se mesmo na posição de risco de perder o aval federal para os dois empreendimentos. Confinada ainda hoje à situação de terreno ameaçado por invasores, a ZPE macaibense já está inserida em projetos de alguns anos atrás que prevêem sua conexão ao Aluizio Alves, ao antigo aeroporto Augusto Severo, em Parnamirim, e ao porto
de Natal, inclusive com a instalação de moderno ramal ferroviário conectando todos estes pontos. 
Segundo Valério, a integração entre todas essas áreas e ainda os distritos industriais de Extremoz, Parnamirim e outras cidades da Grande Natal é imprescindível para que o aeroporto experimente o "up grade" almejado pelos potiguares.
Aluízio Alves: aeroporto pode experimentar um "up
grade" se se vincular a um projeto de "drwback".
A proposta implica em muito mais investimentos do que os previstos pela proposta de implantação dos acessos atualmente reivindicados para o aeroporto, e sua concretização passaria necessariamente pela adoção de projetos de parceria entre as três instâncias de governos, de um lado, e a iniciativa privada. O modelo deveria ser o da Parceria Público Privada (PPP) que tem sido adotada em vária
s áreas do país.
Cargas e “drawback”
Os macaibenses que procuraram conhecer a proposta do centro de conexão de vôos, mais conhecido entre operadores da aviação civil como “HUB”, dizem que o de São Gonçalo tende a se afirmar mais em função do tráfego de cargas materiais do que de passageiros. O que mais os estimulou a ver a situação sob este prisma foi a decisão que a Lufthansa, tradicional empresa alemã, uma das maiores do mundo, adotou no sentido de levar de São Gonçalo cargas para a Europa, empreendimento que iniciará nesta segunda-feira, 8, amanhã.
Para eles, em função da conexão aérea a ZPE macaibense poderia funcionar com algumas características da zona franca de Manaus, principalmente acolhendo insumos de diferentes origens e reunindo-os na montagem de produtos destinados à exportação, a prática simples do “drawback”, para a qual poder-se-ia inclusive buscar tratamento tributário diferenciado.
Esta é uma idéia para a qual eles esperam que as lideranças empresariais do Estado se voltem, somando esforços com o segmento aeronáutico e com as autoridades governamentais visando de uma só vez garantir as perspectivas de crescimento do aeroporto e da zona de processamento de exportações.
Desconexão política
O que enfraquece a proposta de vinculação do HUB e do aeroporto com a ZPE é a desconexão que os líderes potiguares comprometidos com a idéia de transformar o terminal no mais importante do Nordeste e um dos mais destacados da América Latina é a falta de articulação entre os potenciais interessados pelo empreendimento.  
A pior demonstração da falta de articulação é o fato de o novo dono do aeroporto, uma grande empresa de Buenos Aires, na Argentina nem sequer ter sido contatada para discutir o projeto do HUB. Na verdade, eles mais parecem querer surfar na onda do que vetorizar o curso do projeto, atribuição que os potiguares não podem delegar.
De fato, o novo interesse em transformar o Aluizio Alves em conexão intercontinental partiu de empresas privadas, como a Avianca, Latan e Lufthansa, e os políticos potiguares apenas pegaram carona na idéia, passando a discursar muito a respeito e promovendo reuniões em que até duas semanas atrás um grupo partidário excluía a possibilidade de participação do outro.
Argentinos e prefeitos
Apesar de estarem conversando isoladamente com cada uma das três transportadoras, que manifestaram espontaneamente seu interesse quanto ao HUB potiguar, as autoridades governamentais potiguares ainda não procuraram atrair para o negócio o novo dono do Aluizio Alves, a Corporación América. A priori, ela deveria ser o principal apostador da parada.
Concessionária de terminais aeroportuários e de cargas em 53 aeroportos da América Latina e Europa, a Corporación América ainda não dispões de um centro de conexões situados a melhor eqüidistância dessas grandes áreas, atribuição que poderia conferir ao Aluizio Alves.
O medo de que esta desconexão se torne crônica preocupa os macaibense porque se ela se impõe nos escalões superiores da política norte-rio-grandense pode se acentuar quando chegar ao nível municipal. Para eles, a conexão entre o HUB e a ZPE só pode dar certo se os prefeitos de Macaiba e de São Gonçalo do Amarante, médicos Fernando Cunha e Jaime Callado, respectivamente, compreenderem que precisam compartilhar os dois projetos, também, com o colega de Natal, Carlos Eduardo Alves, vez que a componente turística da proposta de conexão aeroviária se ancora muito no potencial turístico da capital potiguar.  
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