Com forte sinergia, a importação de insumos e montagem de produtos para exportação na zona franca da Grande Natal pode se transformar em grande estímulo para que o aeroporto assuma o papel intercontinental que mobiliza políticos potiguares.
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| O potencial econômico da vinculação entre o HUB e a Zona de Processamento de Exportações foi estudado há muitos anos, prevendo ramal ferroviário e conexões com Parnamirim e com o porto de Natal. |
A possibilidade de transformação
do aeroporto internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, num
grande centro de conexões de vôos intercontinentais, reaberta há poucos meses
por um projeto de iniciativa da Latam, está levando moradores de Macaíba à
conclusão de que este é um dos melhores caminhos para finalmente viabilizar o
projeto de implantação ali de uma Zona de Pro
cessamento de Importações (ZPE).
Esta é uma convergência de
projetos para a qual comerciantes locais querem sensibilizar o governador
Robinson Faria e o ministro do Turismo, ex-deputado federal Henrique Eduardo
Alves, presidentes regionais, respectivamente, do PSD e do PMDB e líderes de
dois grupos que, sem se reunir, têm discursado muito o projeto da conexão
aeroviária no município vizinho. Se houver uma forte sinergia entre os dois projetos, o resultado será extraordinariamente promissor para todo o Rio Grande do Norte, asseguram.
Proposta antiga
Os empresários macaibenses e o presidente do
Instituto Histórico do Rio Grande do Norte, advogado Valério Mesquita,
ex-prefeito de Macaíba, ex-deputado estadual e conselheiro aposentado do
Tribunal de Contas do Estado, lembram que a vinculação entre a ZPE e o aeroporto foi estudada muito antes de empresas privadas do transporte aéreo recolocarem na ordem do dia a proposta de transformar o Aluizio Alves num grande centro de conexão de vôos entre a América Latina e outros continentes.
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| Valério: interligação com distritos industriais é imprescindível ao projeto do aeroporto Aluizio Alves. |
Valério recorda, inclusive, que a escolha do terminal de São Gonçalo para ser o HUB do Nordeste foi sugerida à presidente Dilma Rousseff há alguns anos. Infelizmente, porém, ela desconsiderou a proposta, apesar de o terminal ter sido construído por seu governo, e felizmente a iniciativa privada restaura esta possibilidade.
Muito embora há vários anos esteja
habilitado a implantar duas ZPEs, uma em Macaíba e a outra em Açu, há tempos o
Rio Grande do Norte mastiga borracha a este respeito, colocando-se mesmo na
posição de risco de perder o aval federal para os dois empreendimentos. Confinada ainda hoje à situação de terreno ameaçado por invasores, a ZPE macaibense já está inserida em projetos de alguns anos atrás que prevêem sua conexão ao Aluizio Alves, ao antigo aeroporto Augusto Severo, em Parnamirim, e ao porto
de Natal, inclusive com a instalação de moderno ramal ferroviário conectando todos estes pontos.
Segundo Valério, a integração entre todas essas áreas e ainda os distritos industriais de Extremoz, Parnamirim e outras cidades da Grande Natal é imprescindível para que o aeroporto experimente o "up grade" almejado pelos potiguares.
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| Aluízio Alves: aeroporto pode experimentar um "up grade" se se vincular a um projeto de "drwback". |
A proposta implica em muito mais
investimentos do que os previstos pela proposta de implantação dos acessos atualmente
reivindicados para o aeroporto, e sua concretização passaria necessariamente
pela adoção de projetos de parceria entre as três instâncias de governos, de um
lado, e a iniciativa privada. O modelo deveria ser o da Parceria Público Privada (PPP) que tem sido adotada em vária
s áreas do país.
Cargas e “drawback”
Os macaibenses que procuraram
conhecer a proposta do centro de conexão de vôos, mais conhecido entre
operadores da aviação civil como “HUB”, dizem que o de São Gonçalo tende a se
afirmar mais em função do tráfego de cargas materiais do que de passageiros. O
que mais os estimulou a ver a situação sob este prisma foi a decisão que a
Lufthansa, tradicional empresa alemã, uma das maiores do mundo, adotou no sentido
de levar de São Gonçalo cargas para a Europa, empreendimento que iniciará nesta
segunda-feira, 8, amanhã.
Para eles, em função da conexão
aérea a ZPE macaibense poderia funcionar com algumas características da zona
franca de Manaus, principalmente acolhendo insumos de diferentes origens e
reunindo-os na montagem de produtos destinados à exportação, a prática simples
do “drawback”, para a qual poder-se-ia inclusive buscar tratamento tributário
diferenciado.
Esta é uma idéia para a qual eles
esperam que as lideranças empresariais do Estado se voltem, somando esforços
com o segmento aeronáutico e com as autoridades governamentais visando de uma
só vez garantir as perspectivas de crescimento do aeroporto e da zona de
processamento de exportações.
Desconexão política
O que enfraquece a proposta de
vinculação do HUB e do aeroporto com a ZPE é a desconexão que os líderes
potiguares comprometidos com a idéia de transformar o terminal no mais
importante do Nordeste e um dos mais destacados da América Latina é a falta de
articulação entre os potenciais interessados pelo empreendimento.
A pior demonstração da falta de
articulação é o fato de o novo dono do aeroporto, uma grande empresa de Buenos
Aires, na Argentina nem sequer ter sido contatada para discutir o projeto do
HUB. Na verdade, eles mais parecem querer surfar na onda do que vetorizar o
curso do projeto, atribuição que os potiguares não podem delegar.
De fato, o novo interesse em
transformar o Aluizio Alves em conexão intercontinental partiu de empresas
privadas, como a Avianca, Latan e Lufthansa, e os políticos potiguares apenas
pegaram carona na idéia, passando a discursar muito a respeito e promovendo
reuniões em que até duas semanas atrás um grupo partidário excluía a possibilidade
de participação do outro.
Argentinos e prefeitos
Apesar de estarem conversando isoladamente
com cada uma das três transportadoras, que manifestaram espontaneamente seu interesse
quanto ao HUB potiguar, as autoridades governamentais potiguares ainda não
procuraram atrair para o negócio o novo dono do Aluizio Alves, a Corporación
América. A priori, ela deveria ser o principal apostador da parada.
Concessionária de terminais
aeroportuários e de cargas em 53 aeroportos da América Latina e Europa, a Corporación
América ainda não dispões de um centro de conexões situados a melhor
eqüidistância dessas grandes áreas, atribuição que poderia conferir ao Aluizio
Alves.
O medo de que esta desconexão se
torne crônica preocupa os macaibense porque se ela se impõe nos escalões
superiores da política norte-rio-grandense pode se acentuar quando chegar ao
nível municipal. Para eles, a conexão entre o HUB e a ZPE só pode dar certo se
os prefeitos de Macaiba e de São Gonçalo do Amarante, médicos Fernando Cunha e
Jaime Callado, respectivamente, compreenderem que precisam compartilhar os dois
projetos, também, com o colega de Natal, Carlos Eduardo Alves, vez que a
componente turística da proposta de conexão aeroviária se ancora muito no
potencial turístico da capital potiguar.
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Perfeito Roberto!
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