Presidente do Conselho Penitenciário quer transformá-lo um fórum permanente sobre a questão enquanto persistir a fase aguda dos problemas enfrentados pelos presos potiguares e quem os custodia.
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| Cibele: desde a campanha eleitoral Robinson conhece a situação e sabe o que precisa fazer. |
O Conselho Penitenciário do Rio
Grande do Norte deverá promover na próxima semana um amplo debate com o
objetivo de reunir as várias pontas da
questão representada pelos problemas que
afetam drasticamente diversos estabelecimentos penais situados no território
potiguar, cinco dos quais foram condenados a interdição judicial na semana
passada.
O assunto será enfrentado numa reunião
extraordinária que a presidente do colegiado, professora Cibele Benevides
Guedes da Fonseca, procuradora da República baseada em Natal, convocou para a
tarde da próxima terça-feira, 10, na sede do conselho, cuja precariedade também
será examinada na ocasião.
Reunião permanente
Dependendo do que for apresentado
e do encaminhamento de questões que esperem deliberação do Conselho
Penitenciário, este poderá manter a reunião em aberto durante dias, a fim de
que os integrantes do colegiado se reúnam mais assiduamente a fim de trocarem
informações e ajudarem a encerrar a fase mais aguda do problema. O “Fórum
Permanente” pode funcionar formal ou informalmente, contribuindo para ajudar a
tirar o sistema carcerário da fase mais crítica. Enquanto isto, ajudará a
otimizar as atuações de todos os agentes envolvidos com a questão.
Segundo Cibele, um primeiro
levantamento da situação deverá ensejar, ainda na terça-feira, uma manifestação
pública do Conselho Penitenciário, elencando topicamente os problemas e suas
implicações, focalizando notadamente o que é mais imediato.
Um dos temas que exigem ação
imediata é o conflito que eclodiu esta semana entre a secretaria estadual de
Justiça e Cidadania, de um lado, e juízes e promotores de justiça, de outro, a
respeito da possibilidade de utilização de contêineres como abrigo para
apenados em estabelecimentos que funcionam muito precariamente.
“Já nos manifestamos por escrito
e em reuniões, mas vamos externar nossa posição diante de toda a população
potiguar”, anuncia.
Aparelhar
Sem querer descer antecipadamente
a detalhes, Cibele salientou a necessidade de todos os interessados pela
questão convergirem para o Conselho Penitenciário, na busca do melhor
entendimento e transformando o colegiado no interlocutor junto às autoridades
que devem ser acionadas em função dos problemas.
Segundo Cibele, além de vetorizar
a luta por soluções para os estabelecimento penais do Rio Grande do Norte o
Conselho Penitenciário precisa também mostrar às autoridades o quanto está sofrendo
porque não tem condições de funcionar como gostariam seus integrantes.
Quanto à situação do colegiado,
diz que suas instalações não têm condições de abrigá-lo, pois falta-lhe de um
tudo, e que os conselheiros estão extrapolando sua contrapartida, pois enquanto
não recebem sequer os jetons simbólicos a que têm direito por participação nas
reuniões, no valor individual de 35 reais, ainda custeiam a aquisição de
material de expediente para que a casa não deixe de funcionar.
Governador sabia
No tocante à ação em si e ao
problema penitenciário, ela salienta que este vem de longe e não deveria estar
surpreendendo as autoridades. Como presidente do colegiado, em 2014 ela
apresentou um diagnóstico, com sombrias previsões, da situação penitenciária
aos então candidatos a governador, incluindo-se o atual chefe do executivo,
advogado Robinson Faria.
Em dezembro, entre a eleição e a
posse dele, na companhia de outros conselheiros, voltou a expor a situação a
Robinson, convidando-o a visitar as penitenciárias e cadeias e constatar “in
loco” a gravidade da situação. Depois da posse, à frente do mesmo grupo, apresentou
por escrito ao Governador um relatório com sugestões para a resolução do
problema prisional, esperando que o poder executivo partisse para a ação.
“Alertamos que não se resolve o
problema da segurança no Rio Grande do Norte sem resolver o problema do sistema
penitenciário”, relata, acrescentando que desde janeiro se reuniu algumas vezes
com expoentes do poder executivo solicitando as providencias que havia
apresentado a Robinson. Um dos contatos
mais recentes foi com os secretários estaduais de Justiça e de Segurança,
bacharéis em direito Edilson França e Kalina Leite, respectivamente.
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| Conselho denunciou Rosalba por negligenciar o problema. |
“Existe boa vontade, mas a
prioridade é apagar os incêndios atuais”, diagnostica.
Rosalba negligenciou
Antes de passar a cobrar aos
atuais gestores, o Conselho Penitenciário pressionou o quanto pode a então
governadora Rosalba Ciarlini. Diante da desatenção que esta concedeu ao tema, o
Conselho Penitenciário ajuizou uma ação contra Rosalba, porque negligenciou. Ela
devolveu a Brasília recursos que o governo federal lhe havia enviado para a
construção de novos presídios.
Enfatizando que todos os
integrantes do Conselho Penitenciário trabalham na área do direito criminal e
sofrem ao ver o caos em que se transformou o sistema potiguar, “que não
recupera ninguém”, a Presidente disse a sociedade precisa conhecer os
depoimentos de cada um conselheiro, pois têm muita contribuição a dar ao
enfrentamento dos problemas sem que a população conheça seus pontos de vista.
Um dos operadores do direito
vinculados ao conselho que ela recomendaria ser ouvido pela população é o juiz
federal Francisco Eduardo Guimarães Farias, titular da terceira vara da justiça
federal em Natal e integrante do Tribunal Regional Eleitoral, que tem visitado
os estabelecimentos penais onde se encontram presos encaminhados pela polícia
federal.
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