Ao cancelar o curso da paulistana Claudia Matarazzo, sua amiga há mais de trinta anos, Robinson Faria mostrou um governo desorientado ao tentar desfazer uma iniciativa sem nexo num Estado cheio de problemas que a administração não ataca nem resolve. Para piorar, deixou no ar a impressão de que o erro foi cometido pela esposa, Julianne Faria.
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| Também o cancelamento do curso compromete Robinson e Julianne,... |
O governo do Rio Grande do Norte se
enrolou na tarde deste domingo, 7, hoje, ao anunciar a decisão de cancelar o
curso de elegância etiqueta para prefeitas e primeiras-damas de todos os
muni
cípios potiguares que havia agendado para depois de amanhã com aulas a
cargo da paulista Claudia Matarazo.
Sua conduta na paralisação do
empreendimento sugeriu que o governador Robinson Faria recuou com medo de ser
acusado de improbidade administrativa ao levar o erário a patrocinar o curso.
Como se viu, pouquíssimas horas antes de
a assessoria de comunicação social da Governadoria anunciar o cancelamento do
curso, procuradores do Estado declaravam que promovê-lo constituiria
improbidade administrativa e diziam que se Robinson empurrasse a determinação
cuidariam de ajuizar ação contra ele.
Tema
escondido
Amigo pessoal de Claudia Matarazzo há
mais de trinta anos, desde o tempo em que, solteiro, gostava muito de ir curtir
a noite paulistana, ao impor marcha-ré ao evento Robinson levou sua assessoria
a procurar escamotear a verdade, criando um biombo que melhorasse a impressão
que causou.
Ele fez questão de dizer que nem só de
etiqueta e coisas do mundo “fashion”, como a elegância pessoal das mulheres,
cuidaria o encontro, até então divulgado como iniciativa da secretaria de
Trabalho, Habitação e Assistência Social (Sethas), chefiada pela sua esposa,
advogada Julianne Faria.
Recorrendo a blogueiros vinculados à
administração, o governo fez questão de introduzir na agenda do evento uma
palestra de uma cearense, Amélia Prudente, para falar sobre tema até escondido,
um trabalho de cunho social realizado no seu Estado. Este tema nunca havia sido
mencionado pelo governo, muito menos vinculado ao encontro de mulheres.
Falha
da casa
Para piorar ainda mais a situação, a
assessoria governamental enfatizou hoje que “o evento não se resumia à palestra
de Claudia Matarazzo, como foi equivocadamente noticiado”.
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| ...que ainda não disseram quanto o Estado gastou para trazer Cláudia Matarazzo a Natal. |
Ao citar o equívoco, o governo deixou a
descoberto algum dos seus setores, a Sethas, a Casa Civil ou a Secretaria de
Comunicação Social, à qual se vincula a Assessoria de Relações Públicas. Afinal
de contas, quem só mostrou na agenda a palestra de Cláudia foi a assessoria de
relações públicas de Robinson, que funciona na Governadoria, o prédio em que
ele despacha, no Cemtro Administrativo, em Lagoa Nova, na zona sul de Natal. Não
se sabe se seguiu orientação de Julianne, da chefe do Gabinete Civil, advogada
Tatiana Mendes Cunha, ou da secretária de Comunicação, jornalista Juliska
Azevedo, que assumiu seu posto há dois meses. O comprometimento das outras duas não exime, porém, a primeira-dama, pois oficialmente tratava-se de uma iniciativa dela e de sua pasta.
Aprontando emenda pior do que o soneto,
Robinson mandou informar, ainda que “o objetivo do evento era a primeira
reunião de uma série de ações de integração dos municípios e troca de
experiências em políticas públicas da área social”. Isto é algo que não constou
do convite oficial divulgado por sua assessoria.
Gol
contra
O que há de mais grave na divulgação do
cancelamento foi realçado ainda mais pelo fato de seu anúncio ter sido improvisado
em pleno domingo, demonstrando que, na realidade, Robinson procurava anular um
gol contra de sua equipe.
A avaliação deste empenho decorre do
fato de a administração só ter adotado esta medida depois de constatar o quanto
foi péssima para a imagem pessoal e administrativa de Robinson a iniciativa de
ensinar elegância a algumas mulheres vinculadas a gabinetes de prefeitos. Se a
divulgação do evento difundiu a impressão de gestão vazia, a do cancelamento
mostrou um governo desorientado.
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| O convite mostra que a palestra "de interesse social" não fazia parte da programação do curso de elegância. |
Afinal, a despeito de todo o mundo de
problemas que imobiliza sua gestão, de negar reajustes salariais a servidores e
emparedar-se no imobilismo imposto por uma série de dificuldades, o governo estava
gastando tempo e dinheiro para ensinar elegância a mulheres de alguma sorte
ligadas à política partidária em seus municípios. E acionou seu corpo de
bombeiros político para apagar esse incêndio em pleno domingo ao constatar a
besteira que estava fazendo. Em nenhum momento a administração cuidou de informar sobre quanto gastaria ou já gastou com o evento. Segundo procuradores do Estado, o investimento de um centavo de real já comprovaria crime de improbidade administrativa.
Convite
compromete
Uma coisa, apesar de tentar, Robinson
não conseguiu: apagar o teor do convite que fixa as responsabilidades apenas no
âmbito dos gabinetes de Julianne e do núcleo duro de seu governo.
Eis a íntegra do documento:
“A Secretária do Trabalho, da Habitação
e da Assistência Social, Julianne Dantas Faria, Primeira-Dama do Rio Grande do
Norte, convida para o 1° Encontro das Prefeitas e Primeiras-damas do Estado.
O evento contará com a presença da
consultora Cláudia Matarazzo, que irá proferir a palestra ‘Etiqueta e
Elegância: a Arte de Receber das Primeiras-Damas do RN’.
Data; 09 de junho de 2015 (terça-feira)
Hora: 8h30
Local: Auditório da Escola de Governo
Centro Administrativo do Estado
Lagoa Nova – Natal/RN”.
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