Um dos sintomas de que Renata Campos perdeu para políticos paulistas a condição de maior influência sobre o PSB foi exatamente o magnetismo que Márcio França passou a exercer sobre coreligionários nordestinos, notadamente a potiguar Wilma de Faria, na esteira do fiasco do processo de fusão com o PPS.
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| Wilma, com Márcio, e com a viúva de Eduardo Campos... |
Em algumas semanas e ao longo de cinco
ou seis viagens à capital paulista em busca de cura para um problema no esôfago
que chegou a sugerir que estaria com câncer, Wilma se aproximou o quanto pode
do novo líder nacional da legenda, o vice-governador Márcio França, de São
Paulo, em detrimento da família do falecido governador Eduardo Campos, de
Pernambuco, que perdeu a vida em plena campanha como candidato à presidência da
república em 2014. Ela selou sua sorte há cinco dias, numa conversa com Márcio França.
Renata
perdeu
Wilma procurou disfarçar seu empenho em
se vincular a Márcio França em função da amizade que parecia nutrir em relação
à viúva de Eduardo, a socióloga Renata Campos, que nos últimos meses perdeu
progressivamente para o Vice-governador paulista a condição de mais influente
sobre o PSB.
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| ...Renata, no velório do líder pernambucano: o poder sobre o PSB migrou para São Paulo. |
Renata, o governador Paulo Câmara, de
Pernambuco e o prefeito Geraldo Julio, de Recife, e outros socialistas
nordestinos duelaram com Márcio França por conta do processo de fusão do PSB
com o PPS, que no Rio Grande do Norte submeteria Wilma e o ex-deputado estadual
Wober Júnior a a uma disputa pelo comando do diretório regional da nova legenda.
Auxiliados pelo Congresso Nacional, que
dificultou há poucos dias a fusão de partidos, impondo um freio de mão a alguns
processos em andamento, como o que o Dem e o PTB ensaiavam, os pernambucanos
levaram a melhor quanto à convergência, mas perderam o comando do PSB “puro”
que restou para alguns paulistas, à frente Márcio França.
Novo
magnetismo
Como registra a crônica política
nacional, o veto de Renata puxou o freio de mão da fusão, mas retirou de
Pernambuco, principal trincheira do PSB até então, face à projeção nacional e
Eduardo e, principalmente, anos antes, do avô materno deste, o legendário
governador Miguel Arraes, a condição de principal campo decisório sobre a
legenda. “A ‘abulia e a inexperiência da
turma de Pernambuco’, que teria acordado tarde demais para a gravidade da
questão e o avanço seguro de Márcio França, vice-governador de São Paulo e
dirigente do PSB daquele estado, fez com que Renata, viúva do ex- governador
Eduardo Campos, entrasse no processo, mas esta entrada custou muito caro aos
pernambucanos”, disse um analista político de Brasília, diagnosticando: “Agora,
as cartas são as de Márcio, não de Renata”.
Um dos sintomas dessa perda é,
exatamente, a perda de magnetismo sobre Wilma e outros socialistas nordestinos.
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