terça-feira, 12 de maio de 2015

Trezentos mil reais agilizaram adesão do PMDB ao Prefeito

Carlos Eduardo e Henrique Eduardo: aliados por pouco.
Receber trezentos mil reais foi o que bastou para que o prefeito Carlos Eduardo Alves fizesse o que lhe competia e assim agilizasse a oficialização, nesta segunda-feira, 11, ontem, da adesão do PMDB à sua administração com o sepultamento de qualquer projeto de candidatura própria à sua sucessão em 2016.
Esta foi a única quantia que a prefeitura de Natal recebeu até sexta-feira passada dos cerca de seis milhões de reais que o presidente regional do PMDB, ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves, há pouco mais de vinte dias ministro do Turismo, prometeu ao primo Carlos Eduardo para a retomada das obras de reurbanização, drenagem e estabilização e contenção das encostas do morro de Mãe Luiza, por coincidência situado bem às costas dos edifícios em que eles residem, na praia de Areia Preta.
Pegar ou largar
Quem confirmou a chegada de menos de 10% do valor prometido pelo Ministro foi o recebedor formal do dinheiro, o secretário municipal de Obras, engenheiro Tomaz Pereira Neto, primo-afim de Carlos Eduardo, assim que recebeu do Banco do Brasil um aviso sobre o repasse, feito pelo ministério da Integração Nacional.
Henrique Eduardo anunciou este repasse a 27 de abril, após confirmar a promessa junto ao titular da pasta da Integração Nacional, seu colega Gilberto Occhi. Falou durante histórica audiência que concedeu em seu gabinete a Carlos Eduardo, quando acertaram o aval do PMDB à proposta de reeleição do burgomestre, que lidera todas as pesquisas sobre intenções de votos em Natal para 2016, e a entrega da secretaria municipal de Turismo a um amigo do Ministro da área, o empresário Fred Queiroz.
O dinheiro demorou tanto a chegar que o burgomestre “congelou” a nomeação de adotar várias providências ligadas a ela, como conseguir que o antigo titular, empresário Fernando Bezerril, se conformasse em passar a ser o segundo colocado na pasta, como este blog registrou na última sexta-feira.
No fim de semana, porém, os trezentos mil reais tilintaram diante de Carlos Eduardo com jeito de “é pegar ou largar”. Em termos práticos relacionados à obra, deram apenas para pagar um pouco do que a prefeitura deve à empresa responsável pela obra, como explicou Tomaz Neto.
Cabeça de Hermano
Políticamente, porém, a chegada do dinheiro foi mais eficaz do que cabacinha para combater sinusite. Ela reativou a máquina, efetivando a nomeação de Fred, que seria empossado ontem, e levando consequentemente o PMDB a oficializar, como pudesse o apoio ao burgomestre.
Um dos preços foi a trituração do deputado estadual Hermano Morais, que advogava a candidatura do PMDB à prefeitura e viu sua cabeça rolar como a de João Batista. Hermano foi aconselhado a renunciar à presidência do diretório municipal da legenda e ontem, com a maior cara de rendido do mundo, participou da reunião em que Henrique Eduardo convenceu o partido a endossar sua cooptação.
Até a manhã de hoje, na secretaria de Obras da prefeitura, não havia notícias da chegada do restante do dinheiro prometido pelo ministro Occhi e politicamente usado por seu colega potiguar.
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