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| Carlos Eduardo e Henrique Eduardo: aliados por pouco. |
Receber trezentos
mil reais foi o que bastou para que o prefeito Carlos Eduardo Alves fizesse o
que lhe competia e assim agilizasse a oficialização, nesta segunda-feira, 11,
ontem, da adesão do PMDB à sua administração com o sepultamento de qualquer
projeto de candidatura própria à sua sucessão em 2016.
Esta foi a única
quantia que a prefeitura de Natal recebeu até sexta-feira passada dos cerca de
seis milhões de reais que o presidente regional do PMDB, ex-deputado federal
Henrique Eduardo Alves, há pouco mais de vinte dias ministro do Turismo,
prometeu ao primo Carlos Eduardo para a retomada das obras de reurbanização,
drenagem e estabilização e contenção das encostas do morro de Mãe Luiza, por
coincidência situado bem às costas dos edifícios em que eles residem, na praia
de Areia Preta.
Pegar ou largar
Quem confirmou a
chegada de menos de 10% do valor prometido pelo Ministro foi o recebedor formal
do dinheiro, o secretário municipal de Obras, engenheiro Tomaz Pereira Neto,
primo-afim de Carlos Eduardo, assim que recebeu do Banco do Brasil um aviso
sobre o repasse, feito pelo ministério da Integração Nacional.
Henrique Eduardo
anunciou este repasse a 27 de abril, após confirmar a promessa junto ao titular
da pasta da Integração Nacional, seu colega Gilberto Occhi. Falou durante
histórica audiência que concedeu em seu gabinete a Carlos Eduardo, quando
acertaram o aval do PMDB à proposta de reeleição do burgomestre, que lidera
todas as pesquisas sobre intenções de votos em Natal para 2016, e a entrega da
secretaria municipal de Turismo a um amigo do Ministro da área, o empresário
Fred Queiroz.
O dinheiro demorou
tanto a chegar que o burgomestre “congelou” a nomeação de adotar várias
providências ligadas a ela, como conseguir que o antigo titular, empresário
Fernando Bezerril, se conformasse em passar a ser o segundo colocado na pasta,
como este blog registrou na última sexta-feira.
No fim de semana,
porém, os trezentos mil reais tilintaram diante de Carlos Eduardo com jeito de
“é pegar ou largar”. Em termos práticos relacionados à obra, deram apenas para
pagar um pouco do que a prefeitura deve à empresa responsável pela obra, como
explicou Tomaz Neto.
Cabeça de Hermano
Políticamente,
porém, a chegada do dinheiro foi mais eficaz do que cabacinha para combater
sinusite. Ela reativou a máquina, efetivando a nomeação de Fred, que seria
empossado ontem, e levando consequentemente o PMDB a oficializar, como pudesse
o apoio ao burgomestre.
Um dos preços foi a
trituração do deputado estadual Hermano Morais, que advogava a candidatura do
PMDB à prefeitura e viu sua cabeça rolar como a de João Batista. Hermano foi
aconselhado a renunciar à presidência do diretório municipal da legenda e
ontem, com a maior cara de rendido do mundo, participou da reunião em que
Henrique Eduardo convenceu o partido a endossar sua cooptação.
Até a manhã de
hoje, na secretaria de Obras da prefeitura, não havia notícias da chegada do
restante do dinheiro prometido pelo ministro Occhi e politicamente usado por
seu colega potiguar.
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