quarta-feira, 13 de maio de 2015

Vereador suspeita de “esquemas” entre o prefeito e devedores

Gurgel suspeita de conluio unindo grandes devedores...
Um dos piores mistérios que atraem a atenção de observadores da cena política em Natal este ano é o motivo do silêncio que o prefeito Carlos Eduardo Alves insiste em manter a respeito dos nomes de quem mais deve ao governo deste município, ao mesmo tempo em que não sugere estar movendo qualquer ofensiva para cobrar-lhes eficazmente o que precisam repassar ao erário. De tanto insistir em protegê-los, o estafe da prefeitura passou a sugerir a críticos a existência de esquemas espúrios com os devedores.  
Desde fevereiro a prefeitura, através da secretaria de Tributação e da Procuradoria Jurídica, dribla como pode investidas com que a câmara municipal tenta abrir a caixa preta que mantém à sombra os 150 maiores devedores. Os responsáveis pela investigação são os vereadores Fernando Lucena (PT) e Maurício Gurgel (PHS), que atuam em duas frentes.
Protegendo os devedores
Gurgel já apresentou todo tipo de requerimento visando obter a lista, promoveu audiências com Carlos Eduardo e secretários da municipalidade e sistematicamente vem sendo empurrado para longe dos valores dos débitos e, principalmente, da relação nominal.
Simplificando a posição da prefeitura, a Procuradoria Geral do Município alega que os nomes dos devedores não podem ser divulgados. Ao receber esta resposta, o edil garantiu que não quer promover nenhuma divulgação, procurando somente conhecer os nomes dos grandes devedores para melhor estudar a relação entre estes e a municipalidade.
Reduzindo os gastos
Diante da resistência do executivo, Maurício Gurgel sustenta a tese de que deseja conhecer o perfil dos devedores e as áreas econômicas em que estão inseridos para fazer um estudo e apresentar propostas de conciliação entre a Prefeitura e devedores.


..., entre os quais podem estar parentes de Carlos Eduardo, e alguém do município.

E diz que o Prefeito não pode guardar a lista como segredo se o débito total o levou a declarar situação precária do município, quando decretou a redução de 25% dos gastos com custeio no executivo, sem ter feito esta medida se acompanhar por uma ofensiva capaz de obrigar os devedores a recolher aos cofres públicos o que lhes é obrigatório.
Secretários divergem
A luta de Fernando Lucena se restringe a um universo menor de devedores mas pode abranger um débito total enorme. Pelas suas contas, corresponde a enorme fração do valor que preocupa Maurício Gurgel. Lucena só persegue o débito específico que as empresas de ônibus teriam acumulado junto às secretarias municipais de Trânsito e Transporte (STTU, também chamada “de Mobilidade Urbana” desde que esse chavão virou moda nos preparativos da Copa do Mundo de Futebol de 2014), e de Tributação.  O valor do que estaria inscrito na dívida ativa do município em nome das empresas de ônibus vai de setecentos mil reais a trinta milhões de reais, conforme levantamentos que chocaram outros vereadores.
Lucena quer submeter a uma acareação os titulares das duas pastas, o auditor fiscal Ludenilson Araújo e a engenheira Elequicina Santos, exatamente as fontes das informações discrepantes. O confronto pode também mostrar qual das duas pastas tem sido leniente com as transportadoras.
Força do Sindicato
O cenário para o enfrentamento é uma comissão especial de inquérito através da qual a câmara diz que investiga a influência do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros (Seturn) na prefeitura. Após ouvir Ludenilson, na última segunda-feira, 11, a comissão agendou colher depoimento de Elequicina no próximo dia 18. Antes disto, porém, Lucena já sabe que se não os colocar frente à frente os dois secretários não ajudarão a trazer a verdade à tona. 
Castim deixou passar a data de entregar a lista ao vereador. 
Não é certo ainda, porém, que toda a câmara tope obrigar os dois secretários a se enfrentar no parlamento. Também não é certo que todos os vereadores queiram forçar o Prefeito, Ludenilson e o procurador geral da prefeitura, advogado Carlos Castim, a abrir o jogo sobre os débitos que despertaram a curiosidade de Maurício Gurgel. Mas ele insiste, e suspeita muito. E, sem certeza de contar com o apoio da maioria dos colegas, age solitariamente.
Ele não se contentou quando, recentemente, o procurador-geral adjunto, advogado Alexandre Araújo Ramos, lhe negou formalmente a lista com os 150 maiores inadimplentes junto à prefeitura. Diante da resposta, subiu um degrau na hierarquia, procurando o chefe da repartição.
Há poucas semanas, Castim lhe prometeu entregar uma lista com os 150 maiores devedores do erário natalense, porque o exortou com base na Lei de Acesso à Informação.
Na semana passada, usou a mesma lei para obter os nomes de Ludenilson, mas este empurrou o problema, dizendo que a relação está com Castim, a quem a teria enviado – como se sua pasta não contasse com um bom sistema de informática que lhe permitisse obter cópia do documento. Castim havia fixado uma data para entregar o documento ao vereador, mas esta já passou.
Procuradores e devedores
Elequicina pode enfrentar acareação com um colega.
Evitando expor em público suas suspeitas, Maurício tem conversado sobre elas com blogueiros natalenses, e desta forma a ausência de informações precisas termina espalhando um quadro que a própria prefeitura deveria procurar elucidar. Um blog já disse que o vereador “pode ter atirado numa coisa e acertado noutra”, avançando em duas hipóteses igualmente preocupantes, que colocariam a proteção aos devedores no colo de Carlos Eduardo e dos advogados da prefeitura.
“Será que tem alguma empresa de parentes do prefeito devendo e poderá ser beneficiada com os benefícios da lei?”, indagou o blogueiro, arriscando, ao mesmo tempo:
“Pode existir muitas coisas feias na relação de alguns procuradores e os grandes devedores do município”.
Disse também que “essa ‘caixa preta’ é guardada a sete chaves para na surdina (os débitos) serem negociadas sem chamar atenção de ninguém”. Na prefeitura corre outra versão: os procuradores não gostariam de liberar a lista antes de negociarem com Carlos Eduardo uma remuneração extra por cada débito resgatado. Este acordo estaria para ser celebrado ontem.
O certo é que, se a prefeitura continuar a empurrar com a barriga sua negativa, o vereador pedirá as informações através da justiça e ao mesmo proporá à câmara a instalação de uma Comissão Especial de Investigação para levantar o débito e conhecer um eventual lado obscuro das relações entre a Procuradoria e quem deve à municipalidade.
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