terça-feira, 12 de maio de 2015

Natalense não acompanha licitação dos ônibus

Só autoridades e donos de ônibus discutem o problema.
Nenhum grupo de cidadãos apareceu nas últimas semanas na câmara municipal para fiscalizar a tramitação do projeto de lei que pode modificar radicalmente o serviço de transporte público de passageiros prestado em Natal. Por enquanto, só agem a prefeitura, vereadores e os donos de ônibus, como observam servidores da casa. E aqui e ali surgem na área conflitos que deveriam ser bem examinados.
Ontem, por exemplo, as galerias do senado natalense permaneceram quase vazias enquanto o secretário municipal de Tributação, auditor fiscal Ludenilson Araújo, e os chefes dos departamentos da Dívida Ativa, André Maia Carneiro, e de Informática da mesma pasta, Rembrandt Vasconcelos, prestaram depoimento à Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga uma possível relação de influência entre a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) e o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Natal (Seturn).
No próximo dia 18, a CEI tentará ouvir a engenheira Elequicina Santos, secretária municipal de Trânsito e Transporte, visando esclarecer porque a sua pasta não está enviando as informações por meio de ofícios apontando a condição dos processos para serem inscritos na Dívida Ativa.
Uma senhora controvérsia preside a questão. Informações prestadas recentemente à comissão indicavam que a secretaria de Transportes havia encaminhado à de Tributação processos que totalizariam onze milhões de reais para inscrição na dívida ativa da prefeitura, tudo supostamente devido pelas atuais concessionárias do serviço de transporte coletivo. Novos depoimentos mostraram que a secretaria só enviou processos referentes a setecentos mil reais. Se isto se confirmar, a secretaria de Transportes estará sendo apanhada em culpa e os titulares das duas pastas poderão ser submetidos a uma acareação, como sugere o vereador Fernando Mineiro (PT).
Baderna
Na visão dos funcionários da comissão, o fato de ela estar esbarrando em contraditórios desta magnitude é mais do que suficiente para atrair os usuários do sistema de transporte coletivo para suas reuniões. No entanto, a sua é a ausência mais gritante que se observa na câmara.   
Segundo os funcionários, o desinteresse da população pelo tema levou há poucos dias o vereador Hugo Manso Júnior (PT) a cancelar à última hora uma audiência pública que havia programado com o objetivo de compartilhar com o povo a discussão do tema.
Eles receiam que o natalense comum só venha a cuidar do assunto depois de a legislação sobre o transporte coletivo tiver sido modificada sem que isto atenda às suas necessidades. “Depois disso, vai ver, a turma vai querer fazer passeata, incendiar ônibus, destruir tudo”, prevê um funcionário. “Aí vai ser baderna só”, avança, lamentando. 
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