sábado, 6 de junho de 2015

Engenheiro diz que prefeitura frauda tabela para explorar empreendedores

Esta tabela, segundo Marcelo, é falsa, criada
para arrancar mais dinheiro dos empresários.
Nos últimos cinco anos a secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) da prefeitura de Natal tem fraudado tabelas de cálculo dos valores das licenças ambientais com o objetivo de receber de empreendedores mais do que estes deveriam lhe pagar de conformidade com a legislação em vigor. A justiça já comprovou o crime, restando agora ao prefeito Carlos Eduardo Alves coibir esta prática e, constatando a inocência do ente governamental, punir os responsáveis, assim como às vítimas cabe cobrar o que lhes foi extorquido ao longo desse tempo.
Denúncia neste sentido foi divulgada esta semana entre empresários natalenses pelo engenheiro Marcelo Bezerra Guerreiro, que é construtor na região metropolitana e lidera o segmento dos cultivadores de coco da Bahia no Rio Grande do Norte. Ele só resolveu lançar seu libelo depois de sentir-se achacado pela repartição ao pedir licença a fim de desenvolver um proj
eto de condomínio residencial horizontal fechado, algo que se tem multiplicado em Natal como coelhos.
Extorsão
Após muito colidir com servidores dos guichês material e virtual da prefeitura com o objetivo de provar-lhes que cobram indevidamente, Marcelo resolveu pelo menos alertar outros investidores diretos contra a tabela que simplesmente qualifica como “falsa” e objeto de extorsão.
Depois de seu conflito com a prefeitura, ele garante que os empreendedores lesionados com base na falsa tabela poderão cobrar tudo o que pagaram irregularmente nos últimos cinco anos à prefeitura de Natal. Visando orientá-los, disponibilizou-lhes detalhes do combate que vem travando contra a municipalidade e indica seu advogado para orientá-los do ponto de vista legal.
Marcelo diz que, descoberta a
fraude, a Semurb passou a persegui-lo.
Ele conta que recebeu da Semurb dois boletos referentes a licenças prévias e de instalação de dois empreendimentos imobiliários que está prestes a lançar em Natal e “percebi que os valores eram altíssimos”. Questionou então o cálculo dos valores e a Semurb lhe mostrou a tabela em que se havia baseado.
“Neste momento procurei tirar uma foto da tabela e fui simplesmente impedido pela funcionária Semurb. Falei sobre a lei e Habeas Data, mas a mesma me disse que quem resolvia era o chefe do setor. Após essa arrogância, que certamente escondia um possível crime, passei a noite lendo o Código Tributário de Natal”, conta o engenheiro.
Ganhando na justiça...
 “Identifiquei o que queria, e me preparei para ir à secretaria de Tributação do município de Natal. Chegando lá, constatei do setor competente o que eu desconfiava: a Semurb usa uma tabela criminosa para cobrar a maior todos os contribuintes da cidade, um absurdo”, denuncia o empresário.
Ele se dirigiu então a seu advogado, que se prontificou a buscar no judiciário a simples aplicação do código tributário. “Eu queria somente isso”, salienta, acrescentando que em dois meses “vencemos o pedido de liminar”.
Neste estágio do processo, ele pensou apenas no mal menor. “Cobrança indevida , crime tributário”, simplifica.
A partir daí, porém, ele sentiu que passara a ser perseguido por alguém muito forte na Semurb como retaliação pela sua resistência e, principalmente, por garimpar no judiciário uma decisão que poderia ser o fio da meada para a descoberta de um “fraudário” sem precedentes.
...para ser perseguido
De fato, para sua surpresa, a Semurb resolveu usar subterfúgios para questionar sua atitude.
“Para nossa surpresa, a Semurb despachou nos autos a declaração de que, como não há legislação para condomínios horizontais fechados no Plano Diretor da nossa cidade, nossos projetos deveriam se remeter para loteamentos. Ficamos estarrecidos, já que a mesma Semurb licencia mensalmente uma infinidade de projetos da mesma categoria”.
Vendo que a perseguição estava clara e que de nada adiantava solicitar a simples aprovação, decidiu, mais uma vez, acionar o judiciário.
“Pedimos a simples isonomia em relação às outras mais de cem obras da mesma categoria licenciadas sem problemas pela Semurb”, informa, supondo que as aprovações foram lastreadas pela tabela falsa de que não se haviam dado conta os empreendedores roubados.
Desobediência
Novamente a justiça deu razão a Marcelo, para chegar a uma situação de desobediência a ordem de magistrado, que deve ser cumprida acima de qualquer comentário, resistência ou omissão, sob pena de responsabilização penal.
Através de liminar, o juiz fixou prazo de trinta dias para a Semurb se manifestar e expedir as licenças requeridas pelo empresário. “Para nossa surpresa, a Semurb, do alto da sua arrogância, sequer argumentou, respondeu ou atendeu à ordem judicial”, narra. Comunicamos o Excelentíssimo Juiz sobre o descumprimento da ordem judicial e estamos aguardando as sanções cabíveis, para que, finalmente, tenhamos o nosso direito garantido de construir, e desenvolver nossa cidade”.
Filho da vereadora Eleika Guerreiro (PSDC), verdadeiro emblema da correção no trato da coisa pública no Rio Grande do Norte, Marcelo salienta que não lhe pediu apoio porque antes precisa ganhar a causa no fórum.
Sem prejuízo desta conduta, porém, vê na ilegalidade que imputa à Semurb um padrão de comportamento que estende a toda a gestão do prefeito Carlos Eduardo Alves.
“Esse é o meu relato, e alerta, sobre o tipo de administração que temos em Natal”, diz, diagnosticando: “Enfrentamos uma administração perseguidora, incompetente e arrogante. Estão cometendo crimes diariamente utilizando uma tabela falsa, deliberadamente, e não acredito que sejam humildes funcionários os autores da ilegalidade”.
A propósito, ele suspeita de relação direta entre esta falcatrua e o empenho com que a Procuradoria Jurídica da prefeitura tenta na câmara municipal impor mudanças no direito tributário natalense e principalmente garantir ganhos para procuradores que atuarem com êxito na cobrança da dívida ativa do governo local.
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