Procuradores estranham que, até recentemente ágil na defesa do grupo, o Procurador Geral da República aplicou freio à ação sobre a “reserva recursal” depois que Rinaldo Reis o ajudou a emparedar o senador José Agripino Maia (Dem), exumando a acusação de que teria recebido dinheiro de corruptores, levando às barras da justiça, também, o deputado estadual Ezequiel Ferreira de Souza (PMDB), presidente da Assembléia Legislativa potiguar.
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| Coincidência ou não, desde que exumaram a acusação contra Agripino... |
Trata-se de uma ação que os integrantes
do Colégio de Procuradores do Rio Grande do Norte pede ao Supremo Tribunal
Federal que anule uma decisão que Rinaldo adotou há dois anos com o propósito
de avocar a “reserva recursal” até então assegurada a todos os promotores e
procuradores que sentissem a necessidade funcional de ajuizar ação contra
agentes políticos, inclusive o Governador do Estado.
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| ....Janot segura a ação que os procuradores do Rio Grande do Norte... |
Em todo o país a legislação assegura aos
promotores e procuradores a prerrogativa de acionar agentes políticos. Ao tomar
posse em seu primeiro mandato como Procurador Geral de Justiça, há dois anos,
Rinaldo fez com que somente ele posa tomar esta iniciativa.
Auxiliares,
não promotores
Visando estruturar-se para dar conta
deste recado, ele criou um órgão específico que o circunda, o “Núcleo
Recursal”, constituído por pessoas de sua confiança. Como dizem os procuradores
de Justiça, ele “se cercou de assessores”, bacharéis em direito nomeados a
título de ocupantes de cargos de confiança, que têm a responsabilidade de
examinar as situações e preparar as providências que seus estudos recomendarem.
Concluída esta fase, o ajuizamento das ações é subscrito pessoalmente pelo
Procurador Geral.
Foi adotando esta novidade que há poucos
meses Rinaldo ajuizou ação contra o presidente da Assembléia Legislativa,
deputado estadual Ezequiel Ferreira de Souza (PMDB) argumentando que teria
recebido dinheiro do advogado George Olímpio para que o poder executivo
concedesse à empresa deste o monopólio da inspeção veicular no Rio Grande do
Norte. Aos olhos de leigos, ficou difícil entender então porque o Procurador
Geral substituiu bruscamente os promotores de justiça que cuidaram do assunto,
inclusive projetando-se no esforço de mídia que promoveu com o propósito de
submeter o parlamentar a prejulgamento pela população antes que a justiça
sequer começasse a examinar os autos do processo.
Assessores
“versus” promotores
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| ...lhe encaminharam para ajuizar, no STF, contra Rinaldo Reis. |
De acordo com procuradores, até o mérito
das ações iniciadas desta maneira é passível de atender menos aos interesses da
população, porque os assessores que examinam as informações e as consolidam na
forma de acusações formais não têm as demais prerrogativas dos agentes do
ministério público, a começar pela inamovibilidade. Assessor que ocupa cargo de
confiança é demissível a qualquer momento e por qualquer motivo, ao passo que o
promotor conta com muito maior independência moral e intelectual para agir
contra agentes públicos eventualmente suspeitos de cometerem irregularidades
graças às prerrogativas que o direito positivo brasileiro assegura a seus
cargos.
Segundo eles, o objetivo de Rinaldo foi ampliar seu poder político. Com sua iniciativa, daqui por diante só ele pode tomar determinadas providências em relação a expoentes da vida potiguar, como aconteceu no tocante a José Agripino e a Ezequiel Ferreira. Até então, muitas vezes o Procurador Geral de Justiça era o último a saber sobre ações promovidas por promotores e procuradores. O novo status ampliou magnificamente o "poder político" do Procurador Geral, permitindo-lhe impor-se melhor perante notadamente os líderes políticos conterrâneos. Esta agregação de poder explica, por exemplo, o quanto ele se tornou forte junto ao governador Robinson Faria.
Segundo eles, o objetivo de Rinaldo foi ampliar seu poder político. Com sua iniciativa, daqui por diante só ele pode tomar determinadas providências em relação a expoentes da vida potiguar, como aconteceu no tocante a José Agripino e a Ezequiel Ferreira. Até então, muitas vezes o Procurador Geral de Justiça era o último a saber sobre ações promovidas por promotores e procuradores. O novo status ampliou magnificamente o "poder político" do Procurador Geral, permitindo-lhe impor-se melhor perante notadamente os líderes políticos conterrâneos. Esta agregação de poder explica, por exemplo, o quanto ele se tornou forte junto ao governador Robinson Faria.
Os procuradores acham que Janot colocou
uma pedra sobre a ação, que deveria estar conduzindo na corte superior depois
de agasalhar o pleito do grupo. Um deles suspeita que os dois chefes de
ministério público pactuaram algo neste sentido quando celebraram acordo no
sentido de exumar uma acusação vencida de recebimento de propina pelo senador
José Agripino Maia, presidente nacional e regional do Dem, exatamente para
beneficiar a empresa de George Olímpio.
Até então, garante, o Procurador Geral
da República mostrava eficácia na defesa dos pleitos dos procuradores estaduais
do Rio Grande do Norte, não deixando que as ações encaminhadas por eles
ficassem paradas em qualquer escaninho a seu alcance.
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Roberto Guedes:



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